O que nos leva à Psicoterapia?
A Psicoterapia, de forma muito simples, é uma oportunidade para estarmos conosco mesmos, para nos re-conectarmos.
Devido a todas as resistências e julgamentos que existem na nossa sociedade, por vezes só recorremos à Psicoterapia quando temos sintomas que se tornam demasiado dolorosos para suportar, quer isto seja ansiedade, depressão, dor física, ou outros. Outras vezes, é porque alguém próximo, uma mãe ou um parceiro nos ‘obriga’.
Os sintomas são importantes pois são sinais que nos indicam que há algo para o qual temos que dirigir a nossa atenção. São como um presente disfarçado, pois a maior parte das vezes são uma oportunidade para acedermos a algo mais profundo em nós mesmos, para aceder a lugares que ainda não descobrimos e até à nossa própria força e poder, capacidade de cura e transformação. Os sintomas criam um desconforto em que não é possível não olhar, e dessa forma, podem ser uma porta de entrada para nós mesmos.
Por baixo destes sintomas, há muitas emoções reprimidas, crenças e pensamentos inconscientes a governar a nossa experiência da vida. Se existem emoções reprimidas, é porque algures na nossa história nós sentimos que não era seguro ou permitido, não nos foi possível senti-las. É muito difícil sentirmos-nos seguros para aceder a estas emoções ou sequer entender que elas existem ou que nós não somos as nossas emoções, sozinhos. Já fomos todos crianças, e enquanto crianças já nos sentimos indefesos perante situações para as quais não tínhamos ainda recursos para lidar.
A maioria dos mecanismos de defesa que desenvolvemos são criados na relação com os nossos cuidadores primários na nossa infância, pois sentimos que as nossas necessidades (de sermos vistos, ouvidos, cuidados, independentes, etc.,) não foram satisfeitas e tivemos de desenvolver uma forma de lidar com esse sentimento que de alguma forma na sua essência diz: “eu não sou bom o suficiente para ser amado”.
Em Psicoterapia, todo o trabalho que é feito é assente na relação de confiança que é criada entre Psicoterapeuta e Paciente. O Psicoterapeuta, desta vez, sendo um adulto consciente que já se trabalhou e estando com uma atenção presente no seu paciente e em si mesmo, vai criar as condições para que estas necessidades do paciente possam pela primeira vez serem vistas, ouvidas e vividas. Isto irá permitir que o paciente sinta a segurança para sentir, expressar, se explorar, autonomizar, aceitar e talvez até aprender a se amar.
Podemos dizer que a Psicoterapia nos ajuda a estarmos mais equilibrados, a relacionar-nos melhor, a fazermos escolhas mais saudáveis, a expressarmos-nos melhor na vida e no trabalho, a ganharmos auto-estima e confiança em nós mesmos. No entanto, na sua essência, a Psicoterapia, através da presença, escuta, expressão, aceitação e amor vividos nessa relação, dá-nos um recurso interno que nos irá servir não apenas para o momento que estamos a viver, mas para o resto da nossa vida, quaisquer que sejam os novos desafios que ela traga. Ajuda-nos a criar um ‘observador interno’, amoroso. É algo que é difícil pôr em palavras, pois tem que ver com a linguagem do amor.
“There is in every organism, at whatever level an underlying flow of movement toward constructive fulfilment of its inherent possibilities” – Carl Rogers
